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Édipo


Filho de Laio e de Jocasta, herdeiro da maldição que assolava os Labdácias, foi abandonado ao nascer no Monte Citerão, já que Apolo havia predito a seu pai que se ele gerasse um filho, este o mataria. O criado, encarregado de executar essa missão perfurou-lhe os pés com um gancho de forma a poder suspender o menino numa árvore. Isso explica o fato pelo qual, ao ser encontrado por alguns pastores, foi chamado Édipo, que em grego significa “pés inchados”. Foi levado ao rei de Corinto, Pólibo, que, por não ter filhos, embora fosse casado com a rainha Peribéia,o adotou. Em certa ocasião, o jovem participava de um banquete, quando um coríntio referiu-se indiscretamente ao jovem como filho postiço. Intrigado, Édipo resolveu consultar o oráculo de Delfos para saber sua real origem. Além de não obter uma resposta precisa, o jovem se defrontou com uma revelação aterrorizante.

A resposta que Édipo recebeu é que, não somente mataria seu pai, mas desposaria sua própria mãe, gerando uma raça maldita. No intuito de evitar uma tragédia, desesperado resolveu fugir de Corinto, deixando para trás Pólibo e Peribéia, quem de fato acreditava serem seus pais verdadeiros. À caminho da Fócida, onde os caminhos de Cáulis e Tebas se bifurcam, o pobre rapaz se deparou com Laio e sua escolta, composta por quatro pessoas além do rei: o arauto, um cocheiro e mais dois escravos. Este, cheio de impáfia, ordenou-lhe que desse passagem ao rei de Tebas. Como Édipo se recusasse sequer a alterar o passo, teve um de seus cavalos executados pelo rei. Ignorando a verdadeira identidade do rei, Édipo com o auxílio de sua arma, a bengala que o amparava no caminhar, e com grande violência, matou a golpes Laio.

Chegando à Tebas, deparou com a Esfinge, monstro que vinha assolando a cidade há tempos. Descendente de uma família de monstros, sua mãe, Equidna, corpo de mulher e cauda de serpente que devorava todos os viajantes que dela se aproximassem. Ortro uniu-se a própria mãe, e dessa forma, tornou-se ao mesmo tempo pai e irmão da Esfinge. Esta havia sido enviada por Hera à cidade de Tebas para punir o rei Laio, responsável pelo suicídio de Crísipo, filho de Pélops. Misto de vários animais, a Esfinge tinha a cabeça e o busto de mulher, as patas de leão, o corpo de cão, cauda de dragão e asas como as das Hárpias.

Instalada à entrada da cidade, mais precisamente no Monte Ficeu, propunha aos forasteiros que ali chegavam um enigma de grande complexidade e de difícil resolução. Os que não fossem capazes de decifrá-lo eram sumariamente eliminados, pois a criatura além de matar, devorava sua vítima. O monstro já havia feito muitas vítimas e os habitantes estavam alarmados quando Édipo, buscando exílio, chegou à Tebas. Ao enfrentá-la, foi recebido com a seguinte pergunta: “Qual é o animal que pela manhã tem quatro pés, ao meio dia dois e à tarde três?” Édipo sem dificuldade respondeu que este animal era o homem, que na infância engatinha, depois passa a caminhar com os dois pés e na velhice, com o peso dos anos, necessita de uma bengala, ou seja, de uma terceira perna para se sustentar. Como já estava previsto pelo destino que no dia que alguém lograsse decifrar seu enigma a Esfinge morreria, esta, precipitou-se do alto de um precipício e morreu espatifada contra os rochedos.

Aclamado pela população agradecida, tornou-se rei, e, por conseguinte, recebeu também a mão da rainha Jocasta em casamento. Em outras palavras, Édipo cumpriu a segunda e última parte da profecia, pois ao casar-se com a rainha, desposava na verdade, sua própria mãe. Quatro filhos foram gerados desta união: Etéocles, Polinice, Antígona e Ismena. O rei de Tebas reinou durante anos tranquilamente até o dia em que a população local começou a ser assolada por uma peste. O oráculo, novamente consultado, declarou que para cessar a epidemia, se fazia necessário encontrar o assassino de Laio e baní-lo definitivamente de Tebas. Tirésias, o grande vidente cego, trazido até a corte revelou a verdade sobre o crime e esclareceu a identidade e a história de Édipo. Jocasta, humilhada e sem poder suportar a vergonha, suicidou-se. Édipo, ao lado do corpo de sua mãe, vazou seus olhos. Expulso da cidade por Etéocles e Polinice, partiu para o exílio acompanhado por Antígona que o guiou até a Ática, onde foi acolhido por Teseu .

Tempos depois, seus filhos e Creonte, irmão de Jocasta, tentaram convencê-lo de regressar à Tebas, pois um oráculo havia predito que onde estivesse localizada sua tumba, os deuses dedicariam especial proteção. Inútil, porque Édipo, recusou-se terminantemente a realizar-lhes o desejo e viveu seus últimos dias em Colona, localidade situada próximo à Atenas. Foi por esse motivo que a cidade sempre logrou sair vitoriosa nas disputas contra Tebas.

Fonte: Algo sobre
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A senhorinha...

Já eram 8 horas da noite, mais uma aula havia chegado ao fim, e apesar de estar contente por saber que era hora de ir pra casa, estava também preocupada depois de receber uma ligação da minha irmã chorando.

Enquanto recolhia o meu material da mesa do meu aluno, a avó dele surge pelo corredor, andando em passos curtos, esfregando as mãos meticulosamente e com um sorriso imenso estampado em seu rosto. Um sorriso tão bonito e tão puro que imediatamente me contagiou e me fez sorrir também e, antes que eu pudesse profrerir qualquer palavra, ela se adiantou e disse que ficou quietinha na sala, escutando a nossa aula e, escondendo a emoção por detrás daquele sorriso, ela me contou como nunca pôde estudar, seus pais a proibiam, pois, na visão deles, as mulheres deveriam aprender apenas as tarefas da casa, e mesmo sabendo que uma mulher estudando era uma ofensa para a família, ela escondia os livros na gaveta de uma cômoda no quarto e os lia escondido, e embora seu pai quase sempre a pegasse no flagra e a punia severamente, ela nunca abandonava seu sonho. E com um certo embaraço, ela me contou que resolveu voltar a estudar depois dos 60 anos, se matriculou na 5ª série, não se importando com o fato de que estava em meio à vários jovens, e passava horas a fio revisando tudo o que via na escola, principalmente sobre geografia, que era sua matéria predileta.

Mas infelizmente, por culpa dos acasos da vida, ela foi obrigada a abandonar os estudos no fim da oitava série, e embora ela quisesse ter chegado ao fim, se sente feliz em poder ter ido tão longe e aprendido tanto. E hoje, mesmo longe da sala de aula, ela ainda se senta, dia após dia e, sem esforço algum, se perde em livros e artigos, procurando sempre aprender mais.

No fim da nossa conversa, ela me disse que gostaria de poder voltar a estudar e terminar o colegial, que vez ou outra ela tromba com seus colegas de classe na rua e sente uma falta imensa de toda aquela diversão misturada com pressão que existia na escola e que ela fica extremamente feliz em ver a oportunidade que as crianças e adultos tem hoje em dia, embora quase sempre a desperdicem.

E quando finalmente entrei no carro pra voltar pra casa, pensei no quanto a gente se preocupa com um monte de coisas insignificantes enquanto o único desejo da doce senhorinha é poder estudar. Sad, isn't it?
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Pay attention to the signs...

Eu sempre fui fã de filmes cheios daquelas lições de moral, daquelas frases que fazem a gente refletir o dia inteiro e ir dormir com a decisão de que sua vida será diferente.

Recentemente, vi dois filmes que, apesar de não serem ganhadores de milhares de oscars, são lindos, tocantes e me fizeram chorar e pensar muito. Na verdade é incrível como nos últimos dois meses eu tenho me deparado com centenas de textos, vídeos, músicas e etc. que tem me feito parar pra avaliar a forma com a qual tenho levado a vida, é como se o universo estivesse usando a arte pra tentar me dizer algo.


Up - Altas Aventuras

Lembro que tentei assistir a esse filme pela primeira vez há mais de um ano atrás. Minha mãe, que é fanática por filmes "infantis", viu o trailer na internet e insistiu que eu o baixasse e visse com ela. Aceitei o desafio, crente de que seria algo super engraçado, do nível de "A Era do gelo" e então, quando sentamos para vê-lo, o filme já começou do avesso, com um roteiro pra lá de triste e me deixando com os olhos cheios de lágrimas. E eu acho que devo ter desejado tanto sair dali que o DVD acabou dando pau e fomos obrigadas a suspender a sessão depressão muito antes do final, pra minha felicidade.
Mas em um belo dia, enquanto revirava o HD externo do meu namorado, dei de cara com a pasta do filme, e então deu-se início a uma masturbação mental: "Ver ou não ver, eis a questão", fiquei olhando para o nome do filme por alguns minutos, pensando "Poxa Karina, vc já passou por tantas coisas na vida, não vai aguentar assistir a um filminho besta?" e com tal constatação, arrastei a pasta para o meu computador com a promessa de que o veria até o fim dessa vez. E eu consegui vê-lo, chorei só um pouquinho - mentira - e sobrevivi. O filme é uma gracinha e tenta mostrar como não devemos deixar que o amargo da vida nos consuma, mesmo naqueles momentos em que vc sente que perdeu tudo e que o mundo poderia acabar, se vc olhar para os lados, poderá ver que há um mundo imenso, com milhares de coisas e pessoas com as quais podemos nos importar. Filosófico, deveras.


O outro é o Pronta para amar - sim, eu sei, o título não é muito convidativo. Eu nunca tinha ouvido falar nesse, até entrar no blog da Sandra e ler um post que ela escreveu falando sobre ele, nós duas geralmente temos gostos bem (ênfase no bem) diferentes, mas por algum motivo inexplicável, tudo o que li naquele dia me instigou e resolvi que o assistiria. E eis que me deparei com um filme lindo, tudo bem que a história é meio clichê mas, caiu em minhas mãos na hora certa. No filme, a protagonista, que é uma mulher de bem com a vida, feliz e bem-sucedida, descobre que tem um câncer incurável e que tem pouco tempo de vida.
Os 106 minutos do longa mostram como uma pessoa, mesmo sabendo que poderia morrer da noite para o dia, resolve se entregar e viver tudo o que a vida pode proporcionar. Amores, tristezas, realizações, auto-conhecimento. É o tipo de filme que vc termina em prantos e, ao apertar stop, vc acaba se colocando no lugar da personagem e pensando no quanto de vida vc está desperdiçando sentado no sofá em uma dia lindo de sol, choramingando por ter engordado 2kgs por causa do Natal ou então porque seu pai resolveu surtar por vc ter deixado a janela do carro aberta no meio de uma tempestade.

E é engraçado, como quase sempre pré-julgamos algo que depois acaba nos abrindo os olhos, mesmo que por uma fração de segundo.
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Bagunça, no more!

E 2012 começou com um lado meu que eu não sabia que existia. Um lado que consegue ser organizado, independente, se virar nos 30 e fazer as coisas acontecerem.

Esse ano eu resolvi levar meu trabalho mais a sério, não que eu não levasse antes, mas eu apenas fazia o que tinha que ser feito e nunca dava um passo adiante pra tentar inovar ou dar um "up" na minha carreira. Acho que talvez por sempre acreditar ser um trabalho com data de validade, que em algum momento eu teria que escolher algum outro caminho - e talvez eu tenha mesmo, afinal, do amanhã ninguém sabe - mas, hoje as coisas estão indo super bem e conclui que era hora de deixar o medo de lado e investir um pouco mais no que faço. E então, desde o começo do mês, venho fazendo uma coisinha aqui e outra ali e, tenho que admitir que não há nada melhor do que ver tudo evoluindo e mais do que isso, ver o quão longe vc pode ir se realmente quiser. E a melhor parte é que nesse processo, eu pude contar com uma ajudinha mais do que extra de alguém especial, que digamos ter sido o ponto chave pra que esse meu "novo eu" despertasse.


E além disso, descobri que eu preciso me organizar mais. Acho que a desorganização sempre foi um dos principais vilões em vários ramos da minha vida, eu sempre tive o péssimo hábito de largar as minhas coisas todas jogadas pela casa, carro, guarda-roupa e, embora eu consiga me encontrar em minha própria bagunça, há sempre algo que é engolido por um buraco negro e nunca mais aparece. Carregadores de celular, livros, documentos, papelada de trabalho e etc, etc, etc. E a desorganização também se estende pro meu computador, meus arquivos sempre ficam todos espalhados por várias pastas e as vezes eu sequer me lembro do que tenho guardado, o que é um saco, principalmente quando preciso de algum material extra pra uma aula e perco mais de 30 minutos tentando encontrar o maldito arquivo.
Só eu sei o quanto será difícil me policiar e parar de largar tudo espalhado por aí, mas vou tentar adotar algumas medidas que facilitem o processo, como por exemplo, reservar um armário ou um espaço no meu quarto pra que eu possa guardar tudo o que uso pra trabalhar. É um começo, né? Se minha mãe e irmã lessem esse post, elas morreriam de rir, deveras.
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A brand new year




Ela não sabe explicar como e nem porquê, mas desde o início, ele despertava nela coisas que ela sequer entendia. Era um frio que subia do abdomen até a goela sempre que ela o via, algo tão intenso que ela se remexia na cadeira, tentando afugentar quaisquer sensações que insistiam em perdurar em seu âmago. E ela, que até ontem não sabia se acreditava naquele papo de destino, se surpreendeu com a sequência dos fatos.

E em um fim de tarde lindo, lá estava ela, olhando para aqueles olhos profundos, cheios de histórias pra contar. Sempre que seus olhares se encontravam, ela não conseguia conter o sorriso. Um sorriso de felicidade, de gratidão, por estar ali, por aquele momento e pra expressar o que ela não conseguia dizer em palavras, ela o abraçava forte, como se com a troca de energias, ela pudesse fazê-lo sentir o que ela sentia naquele segundo.

Ela sabe que o amanhã não a pertence, mas o que ela sabe é que, naquele dia, enquanto debaixo daquele imenso céu azul, com o vento acariciando seus cabelos e as taças erguidas no ar em um brinde, algo novo nascia. Algo que a fez sentir-se viva novamente.

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Epitáfio...

Há aqueles dias em que estamos no lugar certo, na hora certa, e hoje, meio que sem querer, ouvi esse texto em uma palestra e o efeito foi "tapa na cara" em mim, por isso, resolvi postá-lo aqui. Quem sabe não surte o mesmo efeito em vcs.



"Instantes

Se eu pudesse novamente viver a vida...
Na próxima...trataria de cometer mais erros...
Não tentaria ser tão perfeito...
Relaxaria mais...
Teria menos pressa e menos medo.
Daria mais valor secundário às coisas secundárias.
Na verdade bem menos coisas levaria a sério.
Seria muito mais alegre do que fui.
Só na alegria existe vida.
Seria mais espontâneo...correria mais riscos, viajaria mais.
Contemplaria mais entardeceres...
Subiria mais montanhas...
Nadaria mais rios...
Seria mais ousado...pois a ousadia move o mundo.
Iria a mais lugares onde nunca fui.
Tomaria mais sorvete e menos sopa...
Teria menos problemas reais...e nenhum imaginário.
Eu fui dessas pessoas que vivem preocupadamente
Cada minuto de sua vida.
Claro que tive momentos de alegria...
Mas se eu pudesse voltar a viver, tentaria viver somente bons momentos.
Nunca perca o agora.
Mesmo porque nada nos garante que estaremos vivos amanhã de manhã.
Eu era destes que não ia a lugar algum sem um termômetro...
Uma bolsa de água quente, um guarda chuvas ou um paraquedas...
Se eu voltasse a viver...viajaria mais leve.
Não levaria comigo nada que fosse apenas um fardo.
Se eu voltasse a viver
Começaria a andar descalço no início da primavera e...
continuaria até o final do outono.
Jamais experimentaria os sentimentos de culpa ou de ódio.
Teria amado mais a liberdade e teria mais amores do que tive.
Viveria cada dia como se fosse um prêmio
E como se fosse o último.
Daria mais voltas em minha rua, contemplaria mais amanheceres e
Brincaria mais do que brinquei.
Teria descoberto mais cedo que só o prazer nos livra da loucura.
Tentaria uma coisa mais nova a cada dia.
Se tivesse outra vez a vida pela frente.
Mas como sabem...
Tenho 88 anos e sei que...estou morrendo.
"
(Jorge Luiz Borges)
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Coincidência?

Hoje em um dia quase tomado pelo ócio, estava cá com meus botões pensando sobre algo que costuma causar um certo desconforto em alguns dos seres humanos - como eu - que adoram analisar cada pequeno fragmento dessa vida tão curvilínea: coincidências.

E eu começo o post lançando a pergunta: elas existem ou não?

É engraçado pensar em como algumas coisas ocorrem em determinados momentos, eu arrisco dizer ser a rainha das "coincidências". Um fato muito decorrente comigo é que sempre penso em algo e dali há alguns minutos, dias ou semanas, acaba acontecendo. Por exemplo, recentemente comecei a dar aulas de inglês para o filho de 8 anos de uma das minhas alunas, e na primeira aula, pedi que ela me lembrasse de passar o número novo do meu celular. Mas naquela correria de fim de aula, acabamos nos esquecendo. Os dias passaram, e então, em uma quinta-feira, acordei pensando: "Tenho que enviar um email com o meu celular novo, ela pode precisar falar comigo ", e a frase ficou martelando na minha cabeça o dia inteiro, só que, entre uma aula e outra, sempre havia algo que substituia o tal lembrete mental. E então, à noite, ao chegar na casa do "mini-aluno", ela abriu o portão pra mim e rindo, disse: "O Gui foi num parque hoje e machucou o dedo, ficou todo manhoso e insistiu pra que eu cancelasse a aula de hoje, tentei te ligar várias vezes e não consegui", no mesmo minuto eu liguei o que ela disse com o fato de que passei o dia inteiro com aquela frase buzinando na minha cabeça. Coincidência?

Outro fato que sempre acontece é que, como qualquer outro ser humano, há dias em que não acordo bem, tanto fisica quanto emocionalmente, e quem trabalha com o público sabe o quanto é horrível trabalhar em dias assim, porém, eu não gosto de cancelar as aulas (só em casos mais extremos), então passo o dia mal e ao mesmo tempo pensando: "Poxa, meu aluno poderia estar com preguiça hoje e resolver não fazer aula" e é batata. Até aqueles menos prováveis, que nunca desmarcam as aulas, ligam e cancelam. Intrigante, né?

As pessoas atribuem os mais variados rótulos pra esses acontecimentos: coincidência, energia, sincronicidade, intuição. Eu particularmente não sei em quais deles eu acredito, acho que por ter esse meu lado mais "witch", não sigo muito o conceito da coincidência, eu sempre acho que tudo acontece por um motivo, mas há um universo entre pensar isso e entender o motivo pelo qual essas coisas ocorrem.

Melhor parar por aqui porque o post já está totalmente freak style!
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Restrospectiva

 Como estamos na reta final do ano, não tem como não parar e olhar pra trás, fazer aquele balanço dos fatos e aquela reflexão. Meus finais de ano são sempre assim, eu paro e repasso todos os acontecimentos, tanto os bons, quanto os ruins, e então vejo em que momentos eu errei, em quais eu agi corretamente, o que aprendi e por aí vai.

Eu arrisco dizer que esse foi o ano da força, não vou dar uma de mártir aqui e dizer que os meus problemas são os mais fodas do mundo, eles certamente são muito menores comparados aos de milhares de pessoas por aí, mas, pra mim em particular, eles foram exorbitantes.

Mas Dezembro que prometia ser um mês tenebroso acabou sendo o contrário, não vou dizer que foi de todo bom, mas foi definitivamente um mês de surpresas. Minha mãe, milagrosamente, parou de fumar. Depois de mais de 20 anos super hiper mega dependente da nicotina, ela acordou em um belo dia e decidiu que aniquilaria o vilão de sua vida, e há quase 3 semanas que ela não bota um cigarro sequer na boca. Eu achei que ela não iria conseguir, já que fumava dois maços por dia, mas, pra calar a minha boca e de todos aqui de casa, ela está conseguindo.

Nesse mês eu também consegui a façanha de bater o carro duas vezes. A pior parte em ser professora particular é que tenho que ficar rodando com o carro pra lá e pra cá, e por conta disso, eu fui obrigada a aprender a fazer baliza e a encontrar "buracos" pra estacionar o carro, e foi em uma dessas aventuras que o bati, mas essa eu admito ter sido culpa minha, o grau de distração era tão intenso que ao invés de pisar no freio, pisei na embreagem e o carro bateu em alguns cones de cimento, a sorte é que a distância entre os dois era super pequena, então nem chegou a arranhar, só deixou o focinho do pobrezinho meio branco, mas nada que um lava-rápido não ajude. A outra vez foi com o carro do general, também conhecido como pai, fui buscá-lo na casa da minha avó e ele, que adora meter o bedelho em tudo, me assustou quando resolveu gritar e dizer que não era hora que de entrar em uma rotatória, com o susto, eu freei bruscamente e com a freada, o mané do carro de trás chapuletou a bunda do meu. Mas foi batida leve também, só arranhou um pouco, o problema é que o carro é quase como um filho pro meu pai, então imaginem a situação pela qual tive que passar.

Em Dezembro, eu também descobri que eu possuo uma força física que até um mês atrás era praticamente inexistente. Em um acesso de raiva, eu soquei a porta, meio Hulk style, só faltou rasgar a roupa. Foi algo tão rápido que só fui entender o que tinha acontecido quando vi que minha mão tinha dobrado de tamanho. Por sorte, um pouquinho de gelo resolveu a situação, mas por conta do surto, eu acrescentei mais uma meta pra 2012: adquirir algumas almofadas, assim posso socá-las sem medo de partir meus ossos em 5 pedaços.

E foi nesse mês que eu sempre detestei que algumas coisas inesperadas aconteceram, daquelas que fazem a gente pensar "Eu estou sonhando?". E felizmente, o inesperado foi algo super legal que tem me mantido bem humorada nos últimos dias, é como se fosse uma compensação pelos últimos finais de ano que foram sempre tensos e tristes. É bom sentir friozinho na barriga, ansiedade, medo, saudade e todas aquelas coisas que a gente ama e odeia ao mesmo tempo, mas que fazem com que nos sintamos vivos. Tenho que admitir que senti falta disso tudo.

E que venha 2012, cheio daquelas listas imensas de planos que provavelmente não serão concretizados.

Merry Christmas and a Happy New Year for everyone :)






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Cartinha pro Papai Noel


Todos que me conhecem sabem o quanto eu detesto Natal e Fim de ano e sim, eu reclamo praticamente o tempo todo a respeito das datas e também fico insuportável, diga-se de passagem, sempre que sou "obrigada" a ouvir músicas de Natal ou coisas do gênero. Todo esse "ódio" não tem um motivo específico, são apenas datas tristes e que, se eu pudesse, deletaria dos calendários. Acho que pra mim, elas tem um efeito contrário, enquanto a maioria das pessoas festejam, enchem a cara e etc, eu me recolho, reflito sobre o ano, e a melancolia acaba tomando conta de mim. É inevitável.

Mas, esse ano eu pensei que ao invés de ficar reclamando nonstop, eu poderia fazer algo de útil e foi então que decidi ajudar crianças carentes. Afinal, nada como um tapa na cara pra que a gente pare de reclamar de bobagens e dê um pouco mais de valor às coisas que temos. Mas a pergunta que não queria calar era: ajudar como? Um monte de idéias passaram pela minha cabeça, o que não me falta é criatividade, o problema é conseguir colocar tudo em prática. Mas então, como se o universo tentasse chamar a minha atenção, comecei a ver centenas de pessoas falarem sobre cartinhas de crianças carentes nos correios e foi o que escolhi fazer.  Porém, Dezembro tem sido um mês pra lá de corrido e por isso, só hoje eu consegui parar e ir até o correio escolher alguma(s) carta(s).

Fui acompanhada da minha mãe, que logo de início já me irritou profundamente por insitir em dizer que eu deveria andar com o vidro do carro fechado em um calor de 33º porque em todos os faróis, ela acreditava piamente que os motoqueiros eram assaltantes, coisa de gente bitolada que assiste jornal o dia inteiro. Mas enfim, de volta ao tópico, chegamos lá e demos de cara com um monte de caixas gigantescas que faziam parte da campanha "Carta pro Papai Noel", e foi legal saber que há muito mais gente ajudando do que eu imaginava. Fui até o balcão e o rapaz com a aparência de alguém que não dormia há uns 5 dias, me entregou uma caixa com pelo menos umas 100 cartas dentro. Sentei numa das cadeiras e comecei a ler uma por uma. Haviam todos os tipos de cartas possíveis, desde as  "Quero um jogo de cozinha pra minha mãe" ou "Quero uma bicicleta, um NOTBOCK e um xbox" (os erros de português eram absurdos) até as mais simples e emocionantes como "Queria só uma roupa e uma sandália pra passar a noite de Natal". E algumas das cartinhas tinham vários desenhos, uma fofura.
Mas, como meu salário de professora não me permite dar biciletas, NOTBOCKS e video-games, eu resolvi seguir a linha da "emoção" e no fim, saímos de lá com 6 cartinhas e com a intenção não só de dar as roupas que eles pediram, mas também algum brinquedo que eles provavelmente gostarão como crianças.

Voltando dos correios, já parei em alguns lugares pra comprar pelo menos uma coisa ou outra, afinal, o Natal já está batendo na porta. Só fico triste pois, infelizmente não poderei ver a reação das criancinhas ao receberem os presentes, certamente não há nada mais gratificante do que vê-las sorrindo ao abrirem o embrulho e darem de cara com o que pediram - ou até mais.
E quem sabe essas crianças que tiveram a sorte de serem escolhidas, não tenham também um pouco mais de esperança na vida e consigam batalhar pra serem grandes pessoas no futuro.

E essa foi minha lição do mês e a meta pra 2012 definitivamente é: reclamar menos, fazer mais :)
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Broderizus


Eu o conheci em meados de Fevereiro de 2009, lembro que tinha acabado de começar o meu "treinamento" na ECC e logo de cara assisti a uma de suas aulas e pensei "Porra, que cara mais dinâmico, quero ser igual a ele quando crescer" - ok, não teve graça, mas brincadeiras a parte, eu jamais imaginei que aquele cara mau humorado e cheio das piadas fail (just  kidding) se tornaria alguém tão importante pra mim.

Os melhores meses da minha vida definitivamente foram aqueles em que a gente saia pra beber e falar um monte de merda a noite inteira, pra depois levantarmos absurdamente cedo no sábado e encarar a maratona de 5 horas repleta de alunos trolls. Ou então as várias vezes em que nos reuniamos na casa de alguém pra beber vodka misturada com cerveja, toddynho e babalu e ficávamos até tarde jogando bomberman ou assistindo a filmes super trashes.

Eu sei que nem sempre fui uma boa amiga, por um logo período eu o "deixei de lado" , me perdi num falso conto de fadas e acabei esquecendo das outras tags da minha vida, mas então, ao despertar do que na verdade era um pesadelo, lá estava ele, oferecendo seu ombro pra mim mesmo quando eu não merecia.

Eu não sei o que seria de mim sem vc hoje e acredite, não há palavras o suficiente que eu possa usar aqui pra expressar o quão grata eu sou por tudo o que vc têm feito por mim. Obrigada por todas as vezes em que vc me fez enxergar quem eu realmente sou, quando tudo o que eu podia ver era um fungo. Obrigada por ter ido ver filmes bobos e chatos comigo só pra me fazer compania e por comer um balde gigante de pipoca comigo e não deixar eu me sentir obesa sozinha. Obrigada por me fazer rir quando eu queria chorar. Por me dar um presente magnífico embrulhado em papel de jornal e por ter feito de Curitiba uma viagem foda, e foi apenas uma de muitas outras que ainda estão por vir.

Fico triste em ver alguém tão maravilhoso como vc ter que sempre provar o amargo da vida. Saiba que, mais do que ninguém, eu sempre torço pra que vc seja feliz, seja morando no Alaska ou se apaixonando por mulheres loucas com fortes tendências à prostituição. Eu tenho certeza de que o futuro ainda reserva coisas maravilhosas pra vc ou melhor, pra nós, porque ficaremos milionários depois que lançarmos o nosso livro "Comédia da vida privada, aka, life is a bitch".

Amizade verdadeira é aquela que vence guerras e que perdura sempre, no matter what.

Friends will be friends. Te amo, irmão!
Ok, parei com o mimimimi.

Ah, e não se esqueça: "um humano no meio de vampiros é tão seguro quanto transar com uma prostituta sem camisinha".



"When the night has come
And the land is dark
And the moon is the only light we'll see

No I won't be afraid, no I won't be afraid
Just as long as you stand, stand by me
So darling, darling, stand by me, oh stand by me
Stand by me, stand by me"