Memories

By 7:12 AM


São sete da manhã, a luz do dia já invade meu quarto e o canto dos pássaros ao longe se funde com o "tec-tec" do teclado.
Eu estou aqui deitada, notebook no colo, com insônia (pra variar), pensando em porque temos lembranças.

É engraçado como as vezes passamos dias, semanas e até meses sem nos lembrarmos de algo ou alguém e de repente, como que em uma enxurrada, há algo que te remete à situações que há tempos vc não relembrava. Pode se algo que vc viu na TV, ouviu no rádio ou então apenas escutou em um roda de amigos. Há às vezes aquela palavra-chave que aciona uma válvula em nossos corpos que nos faz parar e voltar no tempo. Lembrar daquele brinquedo que vc adorava quando criança, do primeiro beijo sem graça e assustado, do primeiro fora que vc levou ou deu, da primeira vez que vc sentiu aquele friozinho na barriga, no primeiro emprego e por aí vai. Infelizmente não há um filtro e às vezes - ou a maior parte delas - nos recordamos de coisas que gostaríamos de esquecer. O fracasso, o amor não correspondido, a dor, a perda de um ente querido.

Recentemente, estava eu e alguns amigos em uma cafeteria. Era mais uma daquelas noites estupidamente frias de São Paulo e por isso, resolvemos esticar a noite para tomar "sopa no pão italiano". Enquanto aguardávamos, ficamos jogando conversa fora e rindo das baboseiras que cada um falava. E em um momento de dispersão, olhei para um casal que passava ao lado de nossa mesa e seguia em direção a uma escada. Vi o rapaz meio que de perfil, e de onde eu o via, parecia-se muito com alguém que eu conhecia. Alto, cabelo diferente, óculos, o andar similar. Senti um nó crescer em minha garganta e uma vontade imensa de me levantar e sair, não era possível. Mas então o rapaz olhou para trás e pude ver que tudo fora uma peça pregada pelo meu próprio inconsciente. Respirei fundo de alívio e minha amiga, que sentava ao meu lado, me perguntou o porque de eu ter ficado tão quieta de repente, e eu respondi que achava que a vida tinha acabado de aterrar um soco em meu peito, mas que tudo não passara de um equivoco.
Desde então, aquelas memórias que estavam encaixotadas e largadas em algum lugar do meu inconsciente, criaram vida. Memórias boas, de momentos únicos. Uma saudade, mas sem saber ao certo do que.

Não posso afirmar o porque das lembranças. Seriam elas uma parte sádica em nossos corpos que só está ali para nos apunhalar impiedosamente? Ou então seriam elas apenas a prova de que nada ocorre por acaso? I don't know...yet.

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