Destino ou Coincidência?

By 8:25 PM

Eu, ao longo de toda a minha vida, sempre fui muito curiosa em relação a religiões, Deus e todo esse mistério que rodeia o universo em que vivemos. E embora eu lesse um pouco de tudo, eu nunca fui de acreditar muito nas coisas, e devo admitir que enquanto as pessoas iam as missas aos domingos ou mantinham um altar em suas casas nos quais rezavam diariamente, eu me questionava sobre a veracidade de tudo aquilo. Sempre respeitei a opinião e opção de todos e as vezes, chegava até a sentir inveja ao ver os outros com a tal "fé que move montanhas" enquanto eu, não sentia nada.

Me lembro de um episódio, quando eu tinha cerca de uns 10 anos, fiz catecismo por decisão da minha mãe, que vem de uma família um tanto quanto religiosa. Em uma das aulas, a catequista colocou um quadro no centro da sala, lembro que ele era cheio de rabiscos e linhas abstratas. Após colocá-lo lá, ela virou pra todas as crianças, que o fitavam com um ar de interrogação, e perguntou o que elas enxergavam em meio a todo aquele rabisco. Seus olhos transcorreram cada aluno, que diziam "Eu vejo Jesus" ou "Eu vejo uma cruz", houveram alguns que disseram até ver Deus nos rabiscos, me lembro de franzir o cenho e sentir um aperto pelo simples fato de que, eu não via absolutamente nada. E claro que chegou a minha vez e, por vergonha de ver apenas rabiscos, acabei inventando que vi Jesus sorrindo, e embora eu tivesse passado confiança em minha resposta, por dentro eu me sentia frustrada, acreditando ter sido a única a não enxergar algo em meio aquela sala cheia de crianças. E com o passar dos anos, isso continuou, com outras intensidades. Eu via as pessoas com suas fés, se mobilizando em nome da fé, e isso sempre me surpreendeu, com a diferença que, eu não me sentia mais frustrada por não ver ou não crer no mesmo que elas. Não, não sou ateia, pra ser sincera, eu não sei o que sou, apenas sei que creio em uma força maior, que não tenha a ver com religiões, rótulos e por aí vai.

E além de passar uma boa parte da minha vida questionando a existência disso e daquilo, vez ou outra eu também me pegava pensando sobre destino. As vezes, no intuito de solidificar as minhas idéias, eu tentava discutir o assunto com outras pessoas, que sempre pensavam o oposto de mim. Eu ficava irritada ao ouvir alguém dizer "Imagine, isso é pura coincidência", porque algo dentro de mim, sempre dizia que coincidências não existem. Tenho que dizer que essa é uma das poucas "filosofias" que realmente sigo, eu realmente acredito em destino, a tal ponto que, quando minha mãe me diz "Filha, não fique dirigindo por aí a noite, tome cuidado com assaltos", eu automaticamente penso "Se eu tiver que ser assaltada, eu serei, independente de estar com o vidro aberto ou não", e penso da mesma forma em relação a várias outras coisas, inclusive a morte. Acho que quando chega a "nossa vez", como dizem, não importa aonde vc esteja ou o que esteja fazendo, vc vai morrer. Quantas vezes não vemos acidentes absurdos e totalmente improváveis que provam isso? Mas, o motivo de eu abordar esse assunto hoje, é simplesmente porque estava lendo uma notícia a respeito de um casal de jovens que supostamente deveria ter ido a boate Kiss na noite do incêndio e que, por motivos pessoais, optaram por não ir, e driblaram a morte...ou não. Porque no último final de semana, exatamente 1 semana após o incêndio, ambos morreram em um acidente de carro. Destino ou coincidência? Não sei, mas independente do que for, é intrigante pensar que dois jovens que escaparam da morte por uma razão que só eles de fato sabem, acabam morrendo 7 dias depois.

Ver esse tipo de coisa me fez pensar que talvez o filme "Premonição", em que foi dito que a morte tem um plano pra todos nós e que é impossível escapar, é verdade. Me fez pensar que a nossa morte tem dia e hora marcada, assim como cada passo e cada decisão que tomamos. Ou indo bem mais longe, quem sabe não passamos de ratos de laboratório e cada pensamento ou reação não passam de testes.

You Might Also Like

1 comments