The surprise party

By 2:46 PM

01 de março de 2005,

Hoje levantei cedo, meio desanimada, geralmente fico assim em meus aniversários, sempre com aquela vontade de desligar os telefones e sumir do mapa, mas, não é possível, então levantei e já fui recebida por minha mãe que me aguardava na cozinha de braços abertos e segurando uma cesta de café da manhã. Todo ano ela me dá um abraço super apertado e cheio de dor, sei que pra ela meus aniversários são muito mais catastróficos, afinal, não deve ser fácil se dar conta de que sua filha, que até outro dia ainda engatinhava, já está completando 21 anos.

A manhã e a tarde foram passando lenta e dolorosamente, recebi ligações de milhares de pessoas, até mesmo das pouco prováveis e isso até animou um pouco mais o dia, mas aquela melancolia ainda reinava sobre mim. Passei o dia me perguntando se deveria ir à faculdade hoje ou não, sendo PHD em matar aulas, o dia de hoje seria um motivo perfeito pra por em prática o que eu sabia fazer de melhor, mas no fim, conclui que passar a noite com pessoas legais ia ser milhares de vezes melhor do que ficar em casa choramingando.
Me arrumei e liguei pra Sandra como de costume pra saber se teria que buscá-la hoje também, nós sempre vamos juntas a faculdade, mas feliz ou infelizmente acabei contagiando-a com o meu péssimo hábito de não ir as aulas. Ela atendeu parecendo mais empolgada com o meu aniversário do que eu mesma, ela disse que iria pra aula e que assim que eu chegasse, desse um toque no seu celular que ela desceria.

Com a velocidade de uma tartaruga, separei o material das aulas que teria hoje e fui embora. Cheguei na casa dela e como imaginei, ela ainda não estava pronta - ela sempre se atrasa - e então, pediu que eu subisse, assim não ficaria esperando sozinha no carro, afinal, ninguém merece ser assaltado bem no dia do seu aniversário, né?
Enquanto aguardava o elevador, ainda me questionava o porque de eu não ter ficado em casa. Drama queen mode on. Mas enfim, sempre fomos tão amigas, que eu sequer toco a campainha quando chego, já vou logo abrindo a porta e entrando. E ao fazê-lo, me deparei com a sala escura - o que era uma raridade, já que ela nunca deixa tudo apagado - e ao dar mais um passo, avistei algumas bexigas penduradas na parede e em seguida veio o coral cantando "Parabéns", olhei para aquilo tudo incrédula, com uma cara de "What the fuck?", mas como uma pisciana legitima, levei as mãos ao rosto e desatei a chorar, a Sandra, mais manteiga derretida do que eu, me abraçou, também chorando.

Depois de todo o chororô, a noite acabou sendo risadas puras, nos entupimos de lanches e bolo (o melhor que já comi) e ficamos falando sobre as pérolas que viamos na faculdade.
Voltei super feliz pra casa, todo aquele sentimento horrendo que me dominava pela manhã, foi substituido por uma sensação maravilhosa e única. A festa surpresa foi infinitamente melhor do que qualquer presente que eu poderia ganhar. Esse dia ficará guardado para sempre e quem sabe essa lembrança torne "os primeiros de março" um dia mais alegre.

E a frase do dia é: há sempre alguém que acenderá uma vela pra te ajudar a enxergar na escuridão

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