Maze

By 10:48 PM

A semana começou triste, a despedida no trabalho acabou sendo pior do que eu imaginava.
Assim que levantei na segunda-feira, me prometi que passaria o dia como qualquer outro, sem pensar no que ele realmente representava. E ao chegar na escola, tentava constantemente fugir do assunto, mas era impossível. Sempre havia alguém me abraçando, me pedindo pra não ir embora, outros ameaçavam chorar e por aí vai, mas ainda assim, tentei ignorar os fatos. E antes da minha última aula, me cercaram na sala dos professores e me envolveram em um "Group-hug" e por mais de ferro que eu consiga fingir ser em certos momentos, nesse dia realmente não deu, senti as lágrimas se formarem em meus olhos e pensei "Quer saber? Dane-se" e as deixei cair, e a situação se agravou ainda mais ao ver a pessoa menos propícia naquela sala, chorando feito um bebê. Eu geralmente me controlo bem, mas uma vez que a "torneira" é aberta, é quase impossível de fechá-la, choro sem parar até meus olhos virarem duas bolotas e até minha cabeça doer. Tem coisa pior do que dizer adeus?

O resto da semana foi...estranha. Todos os dias foram cheios de um bom humor que há tempos não me visitava, mas ao mesmo tempo, passei horas e horas quietinha, só pensando.
Pensando em mim, nos últimos meses e nos outros que ainda estão por vir. Pensando no quanto eu afasto as pessoas, mesmo quando as quero próximas. Pensando no quanto mudei no decorrer dos anos, há 6 anos atrás as pessoas sequer sabiam como era o som da minha voz - tamanha era minha timidez - e hoje em dia, eu vou a casa de estranhos dar-lhes aulas particulares. Irônico, não?

Em alguns aspectos, eu mudei pra melhor. Hoje eu sei me virar, antigamente não dava um passo sem consultar a opinião dos meus pais, ajo um pouco mais por impulso ao invés de ficar horas e horas me perguntando se deveria ou não fazer algo. Mas também mudei para pior em outras coisas...hoje não confio tanto nas pessoas, pra ser sincera, acho que não confio em nada nelas. Os tapas na cara da vida acabaram criando um monstro que custa acreditar nas palavras de alguém, às vezes ouço coisas lindas de amigos, familiares ou até homens com quem já me envolvi, e ao invés de deixar as palavras espalharem aquela sensação gostosa dentro de mim, eu paro pra questionar se há realmente veracidade no que está sendo dito. Talvez por um lado isso seja bom, pois esperar pelo pior geralmente abranda a dor, mas ao mesmo tempo, afasto a todos e acabo me aprisionando no meu castelo com muralhas imensas e torres de segurança pra todos os lados. É, sou complexa demais às vezes. Ainda está pra nascer quem me decifre.

Também ando em uma fase extremamente carente, uma carência de companheirismo. Aquela falta que faz ter alguém que deite ao seu lado e fique acordado com vc até quase o amanhecer falando sobre a origem do universo ou então sobre o porque do Garfield adorar lasanhas, alguém que te ligue de manhã pra dizer que viu um adesivo na banca de jornal que lembrou vc, alguém com quem vc consiga ser vc mesmo, com quem vc se sinta à vontade pra falar o palavrão mais cabeludo sem se preocupar se te acharão louca ou não, ou alguém que no meio de uma semana caótica, pause tudo só pra te ver e te dar aquele abraço do qual vc sabe que nunca enjoará.

Enfim, chega de choramingar, esse post está chato demais.
Fui.

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