Ah minha querida infância...

By 11:11 AM

Fame - Remember my name


Ontem enquanto eu mudava os canais na televisão, parei em um que passava o filme Fame, e a música principal do filme me lembrou que quando eu e minha irmã tinhamos uns 10 anos, haviam alguns dias em que minha mãe dizia que era hora de malhar. Ela afastava a mesinha de centro da sala e colocava essa música do filme no rádio e nós três ficavamos pulando sem parar, fazendo polichinelo, rodopiando, cantando. Era nosso ritual semanal, e lembrar disso me deu uma saudade imensa daqueles tempos de criança. Em que nada mais importava do que a hora da "malhação".

Quando criança, eu até que não aprontava tanto. Tive um amigo e um cachorro imaginário, eu parecia uma retardada andando com a mão erguida como se segurasse uma coleira, eu até conversava com eles, pois é. Já fui aspirante de "marceneira", pegava a caixa de ferramentas do meu pai, um monte de cabos de vassoura e tentava inventar alguma coisa, mas acabei vendo que era difícil demais e desisti da idéia. Já tentei ajudar minha mãe a cozinhar e jogava feijão crú dentro de uma panela cheia de feijão cozido. Achei as fitas de video pornô que meu pai escondia no guarda-roupa e as assistia sem entender nada. Sai de casa sem avisar no meio da tarde só pra ir até um condôminio de prédios buscar um filhote de gato (isso me rendeu uma surra e tanto). Eu quis fazer uma colônia de formigas e as prendia dentro de uma peça de lego com papel filme e grama, depois de um tempo eu ia checá-las e chorava por vê-las mortas. Eu tive um Fofão e uma boneca da Xuxa e os detestava, pois ouvia aquelas histórias famosas de que esses brinquedos eram possuídos por demônios. Me diziam que havia uma faca dentro do Fofão que ele usava durante a noite pra matar as crianças e eu, morrendo de medo, peguei uma tesoura e o rasguei inteiro pra tentar encontrar a faca, mas claro que não encontrei, minha mãe, por fim costurou o boneco e deu pra empregada que tinhamos na época. A boneca da Xuxa teve o mesmo destino depois que a arremessei pela janela do quarto achando que seus dedos virariam minhocas e que ela roubaria a minha alma.

E conversando sobre infância com a minha mãe, ela me disse que era uma praga, destruia tudo o que via pela frente. Uma história que ela me contou é que ela resolveu fazer um experimento. Pegava as formigas no chão, subia em uma cadeira, erguia o braço no alto, as soltava e então descia correndo e as encontrava caminhando normalmente, ela não entendia e não se conformava com o fato de que a formiga caia daquela altura e não morria. Outra história, e provavelmente uma das melhores, ela e meu tio tinham ganhado um balão de gás hélio, mas brincar com o balão como uma criança normal não era suficiente, ela resolveu pegar um fósforo e acender próximo a ele pra ver o que acontecia e eis que, o balão estourou, torrando os cílios e as sobrancelhas tanto da minha mãe quanto do meu tio. Ela disse que minha vó entrou correndo na sala assustada depois de ouvir o estouro, mas minha mãe com a cara toda vermelha e queimada, dizia "Nada mãe, ele soltou um pum".

Simply the best.

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